Há um ano, quando os abalos econômicos provocados pela má gestão do subprime norte-americano começaram a provocar rachaduras na economia brasileira, algumas das maiores empresas nacionais foram jogadas para o centro desse terremoto. Com perdas individuais na casa dos bilhões de reais, logo seus diretores financeiros foram apontados como possíveis culpados pela realização de operações malsucedidas no mercado, principalmente com apostas arriscadas na variação cambial.
O fato, que marcou o início de um período árduo de retração e recessão em todos os setores econômicos, representou particularmente uma divisão no perfil de atuação do profissional de finanças em antes e depois da crise mundial.
Se até setembro de 2008, o exemplo de sucesso do profissional de finanças se fortalecia com a imagem de um operador ousado e avesso ao conservadorismo, com os efeitos da crise dando as caras, a atuação se internalizou. Quem conseguisse representar bem o papel de gestor e procurar alternativas que oferecessem segurança e solidez, como redução de custos, ganhou pontos essenciais para a valorização de seu próprio passe.
Em meados deste ano, contudo, a retomada da economia motivou uma reversão no cenário. O executivo de finanças se viu, novamente, inserido em uma situação de conflito. De um lado, o trauma recente das grandes perdas com mercados de renda variável; de outro, opções atraentes de ganhos com a Bolsa.
Esta confusão suscita indagações sobre qual postura tomar, seja para a condução dos negócios, seja para se tornar um profissional cada vez mais adaptado e, consequentemente, valioso para o mercado. A resposta para isso pode ser sintetizada em uma palavra: equilíbrio. Saber dosar o arrojo do mundo macro dos empreendedores com a visão estrategista e cautelosa do gestor é característica de destaque. Fortalece este perfil se o profissional está preocupado em atualizar-se com cursos de extensão técnica, inclusive a legislação do setor, e cultural, e aqui se inclui a boa desenvoltura em outros idiomas. Este profissional deve ainda estar comprometido em ampliar sua rede de contatos profissionais e pessoais, seja por meio das conexões virtuais ou não, além de permanentemente sintonizado com os fatos do mundo em suas diferentes áreas, e não somente o segmento financeiro.
Este profissional que apresenta um perfil de raciocínio lógico e técnico, também deve estar ciente de que o mercado dá preferência ao profissional “híbrido”, versátil. Ou seja, aquele que está preparado não somente para lidar com a saúde dos números, mas também com a gestão de equipes e conflitos, além de absorver ou transmitir competências comportamentais como a objetividade, a abertura a novas ideias e a agregação da equipe.
Mas esteja certo: este processo de crescimento irá demandar muita autorreflexão e autoconhecimento do seu papel... Outro diferencial está no comprometimento em colocar em prática a tão comentada sustentabilidade, prevendo os reflexos positivos e negativos que suas estratégias e decisões deixarão como herança para a saúde e bem estar social. Afinal de contas, suas atitudes terão influência direta na valorização da marca a qual representa em um mundo ávido por preservação e qualidade de vida.
*Pedro Guimarães é diretor comercial da empresa de recursos humanos Manpower. Este artigo foi originalmente publicado na segunda edição de 2009 da revista Financial Report
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