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| Carolina: quebrando a inércia |
No campo de pesquisa de desenvolvimento econômico existe uma correlação linear muito forte entre o consumo de energia e o crescimento econômico em todos os países (ricos, pobres e em desenvolvimento). Quanto mais industrializado o país for maior é a sua demanda e consumo de energia. Essa correlação é uma forma alternativa de “double check” (verificação) se houve –ou não- crescimento real do PIB (Produto Interno Bruto).
Durante a crise financeira internacional em 2008, os dados do PIB (Produto Interno Bruto) chinês estava por exemplo imaculadamente alto. Até a revista “The Economist” verificou essa correlação e apontou que ou a China havia descoberto uma nova fonte de energia neutra e descentralizada, cujo consumo não estava sendo computado ou o governo estava mais uma vez usando técnicas “criativas” para calcular o próprio PIB. Infelizmente, essas mesmas técnicas são aplicadas ao cálculo das taxas de desemprego em diversos países ricos e em desenvolvimento.
Em certos países da Ásia, onde o acesso à energia elétrica nas regiões rurais é extremamente limitado, cerca de 75% da população rural não tem acesso à rede elétrica (ou a uma fonte estável de energia). As ONGs (Organizações não-governamentais), algumas prefeituras, bancos comerciais e associações de crédito desenvolveram mecanismos criativos para solucionar o desafio. Há crescimento acelerado de iniciativas de microfinanças nas regiões rurais desses paises e novas linhas de crédito do Banco Mundial para promover o acesso ao crédito. Atualmente, a Índia e Bangladesh são “laboratórios vivos” que estão testando o uso de microfinanças como uma solução de parceria pública e privada para financiar o programa energético dessas regiões.
Com a desregulamentação do uso de microfinanças nesses países tanto os empresários locais quanto as organizações não governamentais, conseguiram quebrar a inércia - as vezes dominante no setor púbico - e criar soluções criativas para solucionar as falhas de planejamento do governo central. Atualmente, fontes de energia alternativas como o biodiesel, o etanol, a biomassa, mini e micro hidrelétricas de pequena escala, energia eólica e a energia solar estão sendo financiados por esses mecanismos de microfinanças. E a iniciativa está promovendo tanto o uso de fontes limpas de energias quanto o desenvolvimento econômico de pequenas e micro empresas, que são cruciais para o desenvolvimento sustentável das zonas rurais em Bangladesh e na Índia.
* Carolina Cabral Murphy é pesquisadora da Columbia University e fundadora da MicroEmpowering.Org com sede em Nova York (EUA)
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