A decisão da Microsoft, em 2005, de contratar Chris Liddell, um profissional da indústria de papéis, originário da Nova Zelândia, para ocupar o cargo de diretor financeiro, que, na época, estava vago, pareceu uma escolha estranha.
Sem nenhuma experiência em tecnologia, Liddell começou a trabalhar na Microsoft depois de sair da International Paper, em um momento no qual os investidores estavam pedindo que a companhia diminuísse seu intensivo controle financeiro e revitalizasse um inventário estagnado.
"Se você considerar a probabilidade de um profissional, vindo da Nova Zelândia e com experiência na indústria de papel, iniciar na Microsoft e prosperar, não daria a ele nem mesmo a chance de uma bola de neve não derreter no inferno", declarou Charlie Songhurst, gerente geral da divisão de estratégia, marketing e propaganda, na Microsoft, que trabalha em conjunto com Liddell.
Mesmo sendo considerado um verdadeiro profissional “de fora”, Liddell está assumindo o papel principal nas mudanças internas realizadas na Microsoft.
Durante cerca de três anos, ele tem ajudado a transformar a Microsoft de uma companhia avarenta, que guardava dinheiro em banco para possíveis necessidades, em uma organização “mão aberta”, e vem desafiando, com sucesso, a filosofia de que a Microsoft, levando em conta tempo e recursos suficientes, deveria criar sua própria tecnologia para ser adotada em todos os setores promissores.
Liddell já concluiu cerca de 50 acordos, desde que iniciou na companhia, em maio de 2005. Contudo, sua iniciativa mais ousada, a oferta feita pela Microsoft no valor de US$41,9 bilhões para comprar a Yahoo Inc., utilizará quase toda a legendária reserva financeira, herdada por Liddell.
Essas reservas certamente irão aumentar novamente, mas agora Liddell quer gerar débito, pela primeira vez, na história de 33 anos, da Microsoft.
"Creio na atitude de ser disciplinado, porém agressivo", assim se descreveu Liddell, por e-mail. Seus colegas vêem um ponto de equilíbrio tranqüilo e intenso, em comparação com a agressividade animada do diretor-executivo Steve Ballmer, ex-jogador de rúgbi, que se prepara obsessivamente e trabalha rotineiramente 100 horas por semana.
Evitando a disputa territorial que tem exigido a colaboração de outros executivos externos que se uniram à Microsoft, Liddell conquistou a confiança e a atenção de Ballmer e da diretoria da companhia, e ficou conhecido como um dos poucos executivos seniores prontos para se encontrar com os funcionários da companhia para tomar um chopp após o horário de trabalho.
Os analistas elogiam Liddell por suas demonstrações de lucros simples e diretas, enquanto os funcionários da Microsoft dizem que ele está plenamente engajado em sua visão de que os slides em PowerPoint devem ser bem organizados.
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