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EXPERTS - Tradução do Sped

 

12/08/2010

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SPED: Seus tesouros estão protegidos?

Passados mais de 10 anos da histeria causada pelo ‘Bug do Milênio’, na última virada de século, quando praticamente nada aconteceu com o funcionamento de todo o sistema e a ordem mundial, agora o Brasil em especial as nossas empresas enfrentam processo semelhante.

implantação do Sistema Público de Escrituração Digital (SPED) e da Nota Fiscal Eletrônica (NF-e) pode não ter o mesmo efeito psicológico do Bug, mas certamente causará enorme impacto na economia nacional. E é aí que mora o perigo.

Sim, é isso mesmo, pois além do atraso nessa nova etapa, com milhares de empresas obrigadas a emitir a NF-e ainda ausentes do sistema e com isso atuando ilegalmente , muitos desconhecem vários aspectos delicados dessa questão. Trata-se, sem dúvida, de uma bomba de efeito retardado, que explodirá num futuro bem próximo. O Bug do Milênio perto desse problema tecnológico não passa de um estalinho de criança, acredite.

SPED e a Nota Fiscal Eletrônica estão obrigando o mercado a rever alguns conceitos sobre segurança da informação. Na verdade, é a maior transformação empresarial – nunca vista antes neste País -, na qual até as micros, pequenas e médias empresas terão de aderir a padrões de gestão e tecnologia tão eficientes quanto as de grandes corporações.

Esse, certamente, é um dos maiores desafios: integrar a cadeia produtiva tecnologicamente, de tal modo que a transmissão, a recepção pelo cliente e a guarda do documento eletrônico esta última por cinco anos no mínimo, além da própria segurança não sofram danos de qualquer espécie.

As ferramentas para tudo isso são protocolos comuns de comunicação entre as empresas. O documento fiscal eletrônico, por exemplo, tem seu conteúdo entendido por qualquer organização Brasil afora.

Para se ter uma ideia, existe atualmente um comércio clandestino de notas fiscais em papel, no qual se chega a pagar R$ 50,00 por folha. E com a Nota Eletrônica, quanto vai custar um pen drive de dados circulando de forma marginal no mercado?

Há pouco tempo, falar de segurança da informação ou de software pirata era apenas para empresas de grande porte, mas agora o assunto vale para as mais de 5,8 milhões organizações menores espalhadas pelo País.

Assim, a legalização de softwares é fundamental para evitar que dados sigilosos sejam enviados para outros locais, caindo até mesmo nas redes sociais. O uso de programas piratas torna as empresas e demais usuários extremamente vulneráveis.

Todos precisam pensar, mais do que nunca, em um modelo de gestão confiável para as informações que trafegam. Hoje, muitas organizações já utilizam sistemas autônomos hospedados em datacenter para prover serviços tecnológicos e contábeis. É um outsourcing completo. Mas isso não basta.

A preocupação número um deve ser a esta altura ter um sistema de gestão para comandar a empresa que tenham também a capacidade de compartilhar conhecimento, pois esse tesouro retido em uma ou poucas pessoas vale tanto quanto uma pérola no fundo do oceano, ou seja, absolutamente nada.

E a transmissão de todo esse conhecimento deve ser feita para os clientes como um grande sistema de troca, o que requer uma logística apropriada, povoada por novas embalagens, dentre as quais se destaca hoje a Nota Fiscal Eletrônica.

Igualmente fundamental nos dias de hoje é contar com a garantia da entrega no endereço certo daquilo que se deseje transmitir. Em se tratando de informação sigilosa, torna-se extremamente necessário observar tais critérios. A linha entre conhecimento e segurança tecnológica é tênue, e qualquer desvio pode colocar fim à mínima pretensão de blindagem.

Esse é o grande desafio das empresas que entraram no século 21, em sua grande maioria, ainda com a mentalidade de Era Industrial, embora estejamos todos querendo ou não; sabendo ou ignorando – participando intensamente da Era do Conhecimento.

Há muito se fala nas empresas em alinhamento estratégico da tecnologia. As grandes mais ou menos fazem isso. Mas são raras e honrosas as exceções que conseguem entender o caráter inovador e humano disso tudo.

Agora chegou a hora de massificar o uso da tecnologia a favor dos negócios, e saber quem são as pessoas que a fazem de fato funcionar. Massificar dá um enorme trabalho, porque implica sair da zona de conforto, uma vez que atender esse mercado tão grande e diferente do usual não é uma tarefa nada fácil, convenhamos. Mas, como diz o ditado: “sucesso só vem antes do trabalho no dicionário”, não é?

 

postado por Roberto Dias Duarte

 
 

01/08/2010

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Bomba tributária de efeito retardado*

A falta de emissão da Nota Fiscal Eletrônica (NF-e), que já é obrigatória para diversos setores da economia, está criando dois fatos inusitados e ao mesmo tempo graves, tanto para quem ainda está trabalhando com notas fiscais em papel modelo 1 ou 1/A – e deveria emitir a NF-e – quanto para quem aceita recebê-las junto com as respectivas mercadorias adquiridas.

O primeiro risco enfrentado, para quem vende, é o pagamento de pesada multa sobre o valor da mercadoria comercializada, conforme a legislação de cada Estado. Paralelamente, os varejistas – que compram – ficam privados de se utilizar dos créditos oriundos de ICMS – Imposto sobre de Circulação de Mercadorias e Serviços.

“O problema é uma verdadeira bomba tributária de efeito retardado, pois 254,8 mil empresas conseguiram se adequar até 22 de julho. Um mês antes, esse número era de apenas 197 mil. Frente à estimativa das autoridades fiscais de que cerca de 1 milhão de pessoas jurídicas estarão autorizadas a emitir o documento, é provável que esta cifra fique longe de ser atingida em 2010”, argumenta o professor Roberto Dias Duarte, diretor da Mastermaq e coordenador acadêmico da ENC – Escola de Negócios Contábeis, de São Paulo (SP).

Dados de 2006, do IBGE, mostram que existem no Brasil 567 mil indústrias de transformação e 213 mil estabelecimentos de comércio atacadista. Só nesses dois segmentos são quase 800 mil empresas, o que torna perfeitamente coerentes as previsões sobre o universo a encampar a NF-e.

“A má notícia é que em outubro de 2009 tínhamos 100 mil empresas adequadas a essa exigência, sendo que até 22 de julho entraram somente outras 154,8 mil. Como é que mais quase 800 mil farão o mesmo até o fim deste ano? A conta não fecha.”, afirma Roberto Dias Duarte.

Segundo o especialista, como muitas empresas já perderam o prazo, é recomendável iniciar um processo de denúncia espontânea, pois assim se obtém, ao menos, redução de multa. “Para isso, é necessário consultar a legislação vigente no Estado em que se situa a empresa, pois há diferenças importantes, como a porcentagem da multa aplicada”, diz o especialista.

Antes de qualquer coisa, e para demonstrar zelo e boa intenção em causa pública, a empresa deverá comprovar o lançamento e a apuração dos impostos nos respectivos livros contábeis-fiscais, além da efetividade do pagamento dos impostos devidos. Por fim, o contribuinte precisará formalizar o questionamento e a provável denúncia espontânea

No Estado de São Paulo, por exemplo, o Regulamento do ICMS (RICMS), em seu artigo 59, frisa que “o imposto é não-cumulativo, compensando-se o que for devido em cada operação ou prestação com o anteriormente cobrado por este ou outro Estado, relativamente à mercadoria entrada ou à prestação de serviço recebida, acompanhada de documento fiscal hábil, emitido por contribuinte em situação regular perante o fisco (Lei 6.374/89, art. 36, com alteração da Lei 9.359/96).”

“Em outras palavras, como não haverá a presença de ‘documento hábil’ – leia-se NF-e –não será possível fazer a compensação dos créditos do ICMS pelo varejista, uma vez que a mercadoria adquirida do fabricante não será vendida com a emissão da Nota Fiscal Eletrônica”, ressalta o professor Roberto Dias Duarte.

Resumindo, o destinatário poderá ser penalizado por transporte/recebimento de mercadoria desacompanhado de documento fiscal e ainda sofrer a glosa (rejeição) das NF modelo 1/1A que escriturar.

De acordo com o também diretor da Mastermaq Softwares, o entendimento geral das diversas autoridades fiscais é que, a priori, a empresa incorreu em ilícito, ficando assim sujeita às sanções previstas na legislação tributária de seu Estado.

A grande questão é: Qual o motivo do descumprimento do cronograma?

“Em minhas andanças pelo país, descobri que empresas não estão emitindo NF-e por que: (1) Muitas não sabem que estão obrigadas; (2) Algumas sabem e fingem que não sabem; e (3) Outras tantas, sabem, fingem que não sabem e têm raiva de quem sabe. Fica evidente que falta divulgação sobre benefícios e ameaças. Os empresários não têm noção do tamanho do passivo fiscal que estão gerando.”, conclui.

 *Publicado originalmente por REPERKUT Comunicação S/S

 

postado por Roberto Dias Duarte

 
 

PERFIL

Roberto Dias Duarte é professor, administrador de empresas com MBA pelo Ibmec, diretor de Alianças da Mastermaq Softwares e especialista em Certificação Digital, SPED e NF-e, com mais de 20 anos em projetos de gestão e tecnologia. É autor do livro "Big Brother Fiscal, o Brasil na Era do Conhecimento.
 

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