Outro dia um jornalista me perguntou: “Mas e o crédito empresarial, já está voltando a um patamar normal?”. Eu fiquei tão surpreso com a pergunta que emudeci, empaquei. Após retomar a oxigenação cerebral eu devolvi-lhe a seguinte pergunta: “Como assim, que normalidade?”. E ele me respondeu solenemente: “Ao nível pré-crise, pré-setembro passado, oras!”.
O dialogo acima reflete bem o quão difícil tem sido para muita gente entender que o mundo mudou depois do estouro da bolha do subprime – e eu ouço o mesmo de muito empresário de porte! A questão aqui, meus caros, não é o crédito, mas sim a própria definição de normalidade!
Lembram-se daqueles dias de crescimento generalizado? De todos os países, bons e ruins? De empresas bem e mal administradas? De crédito abundante, para quem gerava caixa para pagar o empréstimo e para quem não gerava? Dias de salário e bônus crescentes para bom profissional e para o medíocre também? Pois é, isso foi normal entre 2005 e 2008.
Só que existe uma nova normalidade ‘na praça’, porque existe um mundo novo, que está – ao menos temporariamente – condenado a conviver com as seguintes características:
1. Menos liquidez
2. Maior controle no fluxo e no uso desta liquidez
3. Menor apetite de risco
4. Menos crédito disponível
Isto significa que o tecido econômico está sendo irrigado por uma menor quantidade de sangue monetário, o que significa menor oferta dos nutrientes que fazem as economias e empresas crescerem.
Naturalmente, passada a hecatombe recente, o fluxo de crédito vem se reequilibrando, pois as empresas também passaram a tomá-lo com mais comedimento – porque readequaram seus plaos de investimentos e a maioria está vendendo menos à prazo.
Olhando sob outro ângulo, o crédito está voltando no mesmo passo do crescimento econômico, i.e. morno, lento.
Ah, mas o custo está caindo, dirá alguém: sim, mas com muita parcimônia. Primeiro, parece que o apetite dos bancos pelas pessoas físicas voltou - apesar da inadimplência e do cheque se fundo estarem, aparentemente, em alta; já no mundo das pessoas jurídicas, os bancos estão canalizando sua liquidez para os maiores (e mais sólidos) tomadores. As razões: a Selic está caindo bem rapidamente e os bancos estão competindo por estas empresas.
Mas para as empresas médias e pequenas o dinheiro continuará pouco ofertado e caro, até que o mercado financeiro certifique-se que este segmento superou a crise e representa baixo risco de repagamento.
Faça sua parte: prepare-se de forma profissional para “enfrentar” seus credores e potenciais financiadores. Mostre que o seu negócio é sólido e que a empresa é bem controlada. Demonstre que você tem um plano de negócios e como atingirá suas metas.
Abraços, FB