Apesar da minha longa carreira no mercado financeiro, mais os últimos três anos numa seguradora de crédito, eu passei um bom tempo do outro lado do balcão trabalhando na área financeira de empresas – primeiro num grande grupo industrial nacional e depois numa pequena subsidiaria de uma grande multinacional.
Sei, portanto, o quão desafiadora é a vida do homem de finanças de empresas no Brasil. Alguns exemplos que me vêm à mente: a tenebrosa gestão tributária, a incerteza das contas a pagar e a receber, seguros de todo tipo, gerenciamento do fluxo de caixa, relacionamento com acionistas (ou dono!), auditorias, enfim, a lista é longa.
E, na maioria dos casos, ainda tem de lidar com os bancos credores.
Agora pergunto, qual é a parcela de atenção que você, CFO, dá para cada um dos temas acima elencados? Pensou? Pois bem, agora eu provoco: aposto que a maioria de vocês dedica um tempo abaixo do necessário para o relacionamento com os vossos bancos.
Mas eu não vos culpo. Afinal, banco é tudo igual. Quer dizer, são chatos e na Hora H, quando você mais precisa de dinheiro, prazo, custo baixo, etc., eles não comparecem...
Pois é isto que eu escuto há séculos, da imensa maioria dos interlocutores empresariais com que me relaciono, seja no dia-a-dia do trabalho ou nas palestras “evangelizadoras” que faço por este Brasil endividado.
E é por conta desta atitude de pouca – ou ineficaz – aproximação com os bancos que a IMENSA maioria das empresas brasileiras pagas várias SELIC’s por ano, i.e. taxas de 30%, 40%, 50% a.a.!
Conforme demonstrei lá em cima, a diversidade de temas a serem tratados pelo CFO é imensa – e todas são fundamentais para o sucesso da companhia. Só que algumas delas são operacionais e, mesmo que envolvam situações emergenciais, a sua rotina não apresenta redução efetiva de custos para a empresa.
No entanto, uma boa sacada tributário-fiscal gera economias e disso todo CFO corre atrás. É por isso que assinam o IOB, pagam algum tipo de consultoria tributária, etc.
Porém, quando o assunto é crédito, a maioria dos executivos de finanças não faz idéia do quanto poderiam economizar se focassem mais tempo na gestão de suas relações bancárias.
A dica do dia: promovam uma saudavel competição entre os seus bancos de relacionamento. Não é leilão, mas competição.
Racional: sabe qual é o maior pesadelo de qualquer gerente de banco? Que a sua empresa pague aquele empréstimo de capital de giro que vem sendo rolado há anos, para em seguida tomá-lo de um outro banco, que lhe ofereceu taxa menor, pediu menos garantias, ou ainda prazo mais longo.
O pobre gerente sofrerá horrores para achar outro cliente para substituir o ativo perdido e terá o cumprimento da meta dele ameaçada. Moral da história, ele fará tudo para mantê-lo como cliente ativo do banco, i.e. ele irá oferecer melhores condições para o seu empréstimo.
Foque em relacionamento bancário: isto aumentará a sua oferta de crédito e, como conseqüência, trará a você melhores condições creditícias.
Com meu abraço,
Fernando Blanco