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EXPERTS - Crédito

 

16/06/2009

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O Crédito e os Desafios do CFO

Apesar da minha longa carreira no mercado financeiro, mais os últimos três anos numa seguradora de crédito, eu passei um bom tempo do outro lado do balcão trabalhando na área financeira de empresas – primeiro num grande grupo industrial nacional e depois numa pequena subsidiaria de uma grande multinacional.

Sei, portanto, o quão desafiadora é a vida do homem de finanças de empresas no Brasil. Alguns exemplos que me vêm à mente: a tenebrosa gestão tributária, a incerteza das contas a pagar e a receber, seguros de todo tipo, gerenciamento do fluxo de caixa, relacionamento com acionistas (ou dono!), auditorias, enfim, a lista é longa.

E, na maioria dos casos, ainda tem de lidar com os bancos credores.

Agora pergunto, qual é a parcela de atenção que você, CFO, dá para cada um dos temas acima elencados? Pensou? Pois bem, agora eu provoco: aposto que a maioria de vocês dedica um tempo abaixo do necessário para o relacionamento com os vossos bancos.

Mas eu não vos culpo. Afinal, banco é tudo igual. Quer dizer, são chatos e na Hora H, quando você mais precisa de dinheiro, prazo, custo baixo, etc., eles não comparecem...

Pois é isto que eu escuto há séculos, da imensa maioria dos interlocutores empresariais com que me relaciono, seja no dia-a-dia do trabalho ou nas palestras “evangelizadoras” que faço por este Brasil endividado.

E é por conta desta atitude de pouca – ou ineficaz – aproximação com os bancos que a IMENSA maioria das empresas brasileiras pagas várias SELIC’s por ano, i.e. taxas de 30%, 40%, 50% a.a.!

Conforme demonstrei lá em cima, a diversidade de temas a serem tratados pelo CFO é imensa – e todas são fundamentais para o sucesso da companhia. Só que algumas delas são operacionais e, mesmo que envolvam situações emergenciais, a sua rotina não apresenta redução efetiva de custos para a empresa.

No entanto, uma boa sacada tributário-fiscal gera economias e disso todo CFO corre atrás. É por isso que assinam o IOB, pagam algum tipo de consultoria tributária, etc.

Porém, quando o assunto é crédito, a maioria dos executivos de finanças não faz idéia do quanto poderiam economizar se focassem mais tempo na gestão de suas relações bancárias.

A dica do dia: promovam uma saudavel competição entre os seus bancos de relacionamento. Não é leilão, mas competição.

Racional: sabe qual é o maior pesadelo de qualquer gerente de banco? Que a sua empresa pague aquele empréstimo de capital de giro que vem sendo rolado há anos, para em seguida tomá-lo de um outro banco, que lhe ofereceu taxa menor, pediu menos garantias, ou ainda prazo mais longo.

O pobre gerente sofrerá horrores para achar outro cliente para substituir o ativo perdido e terá o cumprimento da meta dele ameaçada. Moral da história, ele fará tudo para mantê-lo como cliente ativo do banco, i.e. ele irá oferecer melhores condições para o seu empréstimo.

Foque em relacionamento bancário: isto aumentará a sua oferta de crédito e, como conseqüência, trará a você melhores condições creditícias.

Com meu abraço,

Fernando Blanco

 

postado por Fernando Blanco

 
 

06/06/2009

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Mini Aula de Macroeconomia e o Crédito

 

No Brasil, a situação do crédito já esteve pior, não há dúvida, mas ainda assim estamos longe do ideal. E por três motivos:

  1. Os bancos e as seguradoras de crédito corporativo continuam colecionando problemas.
  2. Bancos e investidores internacionais continuam sem apetite para crédito nos seus próprios países, que fará no nosso.
  3. As empresas também perderam interesse no crédito.

É isso mesmo: a oferta e a demanda por crédito andam retraídas nestes dias de ressaca econômica.

As empresas precisam de crédito quando vendem muito, aqui e no exterior, e/ou quando investem na ampliação de sua capacidade produtiva.

Nos últimos anos, venderam muito e investiram muito. Portanto, tomaram muito crédito. E como bancos e seguradoras enxergaram – erroneamente – que o ambiente econômico era estável, passaram a emprestar muito também.

Se olharmos para a equação do equilíbrio macroeconômico, teremos que:

Y = C + I + G + (X – M), onde:

Y = Demanda agregada, ou PIB

C = Consumo das famílias

I = Investimento das empresas

G =Gastos do governo

(X – M) = Saldo da balança comercial, ou exportações menos importações

Fácil, não é? Quando o agregado de C + I + G + (X – M) cresce, as empresas, famílias e os governos precisam de mais crédito para financiar seus gastos. E agora, como andará o quadro deste agregado Y (ou PIB)?

C = o consumo vai mais ou menos bem. Mas nada que estimule qualquer empresário, de qualquer setor a investir. As empresas estão tomando crédito, em sua imensa maioria, apenas para capital de giro.

I = a capacidade instalada da nossa indústria dá e sobra para a demanda local e internacional. Até porque, motivada pela exuberância econômica de anos anteriores, vinha investindo consideravelmente.

G = este é um setor que gasta com gosto, até para compensar a anemia dos demais parceiros de demanda agregada, mas não é alvo deste blog.

(X – M) = o quadro é depressivo, pois o mundo desenvolvido está deprimido e compra muito menos do que temos para oferecer. Vide o preço das commodities.

Isto tudo posto, é natural que nossas empresas estejam tímidas na captação de crédito. E é só por isso que o spread bancário vem caindo para as grandes empresas, assim como para aquelas não tão grandes que se apresentam para os bancos de maneira profissional.

Acredito que em breve – assim que a inadimplência da PJ e do Middle Market se acalmar – veremos os bancos brigando novamente para emprestar, o que puxará ainda mais o spread para baixo.

Mas atenção: os bancos e seguradoras de crédito aprenderam a lição e não irão mais distribuir crédito longo, barato e sem garantias para qualquer um, como fizeram até setembro de 2008.

Abraços, F.

 

postado por Fernando Blanco

 
 

PERFIL

Fernando Blanco é country manager do grupo francês Coface, ocupando as posições de CEO das seguradoras Coface e SBCE, além de ser diretor executivo do Banco Natixis S.A. Atua há 25 anos no mercado financeiro, tendo sido diretor comercial e de Crédito/Risk Management em bancos como Banco Real/ABN AMRO e ING. O executivo é formado em administração de empresas pela FGV e possui mestrado (MSc) em International Banking & Financial Studies pela Heriot-Watt University, da Escócia. É voluntário mentor do Instituto Empreender Endeavor e mantém o Blog do Crédito
 
 

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