O movimento explosivo nos shopping centers neste Natal recém celebrado(vendas 11% maiores do que em 2008) e as fábricas trabalhando sem férias coletivas dão a falsa impressão de que está tudo perfeito no Brasil. Não está.
As pequenas e médias empresas (PMEs) ainda enfrentam oferta de crédito muito restrita (há mais de 1 ano!) e pagam juros/spreads caros demais.
Isso significa que terão imensas dificuldade para investir em expansão e modernização. Dois motivos:
- Não geram suficiente caixa livre, pois pagam muitos juros.
- Não obtém linhas de longo-prazo, pois não tem oferta.
Esta situação é fruto de uma grande inadimplência no final de 2008 e que se perpetuou por quase todo 2009. Começa a arrefecer, graças a Deus.
Mas os bancos não haviam voltado a emprestar com vontade já no segundo trimestre? Sim, mas dirigiram suas linhas para as pessoas físicas e para as empresas "acima de qualquer suspeita" - há um claro empoçamento de liquidez no nicho das grandes empresas, que já pagam juros muito baixos.
Em 2010, a tendência é que os bancos voltem a liberar mais crédito - e com mais prazo - para as PMEs, o que reduzirá este gargalo.
No entanto, os bancos continuarão sendo muito seletivos, i.e. quem se apresentar de forma pouco estruturada, sem balanços bem elaborados e transparência, continuará à míngua.
Juros e spreads
Os juros para as PJs voltaram aos níveis pré-crise, o que não é para ser comemorado, pois a SELIC caiu uns 3 pontos desde então. Em outras palavras, o spread está mais alto!
Para a PF a coisa é bem melhor, pois caiu a níveis históricos de baxia. A SELIC ajudou, mas o apetite dos bancos para financiar as compras da população é inegável e deve ser comemorado.
Tem 'bolha' aí na frente?
Na minha visão, bolha - no sentido clássico da palavra - não tem. Porem, vivemos num equilibrio precário. Algumas visões que podem reverter o quadro ufanistas destes últimos meses:
- Tem muito cidadão sem condição econômica e cultural para estar tão endividado. Esta turma "não tem o direito de perder o emprego".
- Se as PMEs se afobarem e passarem a investir, captando crédito de curto-prazo, teremos uma nova mini-crise de crédito pela frente.
- Os ativos brasileiros estão se valorizando muito e isto não é bom. A nova regra do mundo e do Brasil é: tudo o que sobe muito cai muito e rápido.
- Uma reversão de humor dos investidores internacionais trará grande instabilidade no câmbio, na bolsa...e no crédito interno.
Em suma, não existe uma crise obvia se formando no horizonte, mas não estamos num cenário à prova de riscos.
FELIZ NATAL!!
Fernando