
Historicamente a população espera que seus governos promovam o bem estar da sociedade e resolvam (ou pelo menos reduzam) os problemas sociais e econômicos de seus estados ou municípios. A soluções de governo seguem uma trajetória previsível: políticos eleitos formulam planos e tecnocratas criam orçamentos que o legislativo aprova; uma legião de servidores públicos sai implementando os programas de governo. Mas de onde vem as idéias para estes projetos? Ou, como anda o progresso destas ações? Projetos cujas idéias não sabemos direito de onde vieram se transformam em projetos, cujo monitoramento raramente é submetido para apreciação da sociedade e, mesmo quando o governo presta contas, o fato já foi consumado. Quando o mandato da administração pública termina, muitas das ações param, até que um novo governo eleito assuma o comando e o ciclo reocomeça, tudo de novo.
Em 2006, a prefeitura de Seul (capital da Coréia do Sul), começou a quebrar esta lógica. Através de uma plataforma de rede social chamada OASIS, o prefeito Oh Se-hoon decidiu que aqueles que decidiam tinham que parar de decidir. Ou melhor, convidou os 10 milhões de habitantes da cidade para colaborar com idéias sobre como melhorar o bem estar da população na cidade de Seul. A iniciativa teria 5 etapas: uma 1a etapa captura as idéias e sugestões da população sobre diversas temáticas ("desafios") pré-definidos pela prefeitura (exemplo: lazer, trânsito, segurança, entre outros); uma 2a etapa leva (via redes socias) ao diálogo e debate público as idéias; uma 3a etapa (feita pela prefeitura) elege as idéias mais aderentes ao plano estratégico municipal elaborado pela prefeitura; uma 4a etapa convida os autores das idéias e quem mais se interessar para um debate público e ao vivo com funcionários públicos da prefeitura para discutir a viabilidade destas idéias; uma 5a etapa transforma as idéias em projetos e parte para a implementação, articulando os 3 setores (governo, empresas e ONGs). Em 2009, metade da população já tinha aderido à iniciativa, 34 mil idéias tinham sido submetidas, das quais 75 se transformaram em projetos (hoje 55 deles já foram implementadas em Seul).
No Brasil, iniciativas como a Agenda 2020 (www.agenda2020.org.br) no Rio Grande do Sul e o Todos Pela Educação (www.todospelaeducacao.org.br) mostram que é possível articular e mobilizar a sociedade, o governo e o 3o setor em busca de projetos estratégicos que melhore o bem estar de todos, especialmente o das futuras gerações.
E o futuro das cidades brasileiras em que vivemos? Se a gente pudesse articular uma plataforma de engajamento dos 3 setores (empresarial, político e social) nas principais capitais, tenho a certeza de que empresários, empreendedores sociais e ativistas políticos impulsionariam idéias de projetos nas áreas de turismo, meio ambiente, cultura, transportes, educação, saúde segurança. Utilizando o poder das redes sociais na internet e da inteligência coletiva da população, podemos engajar os habitantes das cidades tanto na etapa de geração de idéias como no design e implementação de soluções originadas por estas idéias. Temos pelo menos 2 motivos "nobres" para acionar este tipo de inciativa em nossas cidades: Copa 2014 e Olimpíadas 2016.
A oportunidade está lançada!